depois de 1 semana, o medo.

@ambivalentlyyours

@ambivalentlyyours

depois da adrenalina que foi jogar pro mundo o meu frio na barriga veio o medo. na verdade ele sempre esteve aqui. sentado no meu colo. sufocando a cada hora e meia os órgãos do centro do meu corpo. por mais que muita gente tenha me apoiado e me dado força — e eu recebi uns e-mails que valeram cada tapa na cara que já deram em mim — a gente sempre se pega pensando. " mas e o que será que x tá pensando, e y?" o medo do julgamento meus amigos, é inevitável. a gente somatiza, transforma em gripe, em noia, em espinha no meio da testa. a gente volta a ter 12 anos. e não deveria né? se é um trabalho autoral, se é um trabalho que nasce de uma paixão, de pesquisa, se vencemos tantos desafios porque tanto medo? 

porque a gente tem tanto medo de assumir as coisas que são nossas?

@lennyletter

@lennyletter

depois da adrenalina, dos dias de gripe, me bateu um desânimo. uma vontade de voltar pra caixa de nunca ter saído. de continuar escrevendo só pra mim e pro meu google docs. a gente volta pra baixo do edredom, arranja desculpa pra não correr, é eu ainda tô gripada, busca o sentido do desânimo em todas as luas, mercúrios, ah, o sentido astrológico pra tudo. o desânimo bate e a gente quer pedir delivery, ver a mesma série que terminou há 12 anos e ler os mesmos livros. a gente quer conforto e o conhecido. porque é tão difícil se jogar no julgamento, nas críticas, é muito foda assumir os riscos, as escolhas. tudo na vida tem sempre 50% de dar certo, assim como errado. mas a cabeça vai direto no errado.

hoje, em mais um dia de desânimo essa imagem acima me pegou. veio na newsletter da LENNY, é um trabalho da Amy Rose Spiegel e da Kat Kon e diz que "toda vez que você acorda, você escolhe um mundo." e depois dessa frase, depois dessa imagem amigos, o meu dia não foi mais o mesmo. é inverno no rio de janeiro (em dias de veranico que é como chamam o verão no meio do inverno) os dias estão de um azul sem fim, a corrida só depende dos meus dois pés e da minha coragem em vencer o edredom e todas as crianças que estão de férias andando de patinete na lagoa. a endorfina voltou, os remadores continuam remando e as ideias tendem a se organizar e o melhor de tudo resolvi escrever.

quando digo que escrever é terapia, quando digo que depois que comecei a falar, depois que comecei a compartilhar eu nunca mais consegui parar. e acho que isso acontece muito porque as nossas vidas sempre parecem perfeitas pra quem não tá muito de perto. sempre vai parecer, ah o instagram. poucas pessoas realmente sabem o que acontece ali, todos dias, dentro da sua casa, dentro da sua família, na conversa — ou na não conversa — do café da manhã. poucas pessoas sabem mas é bem verdade que todas às vezes que eu falo com os meus avós no telefone eu choro quando desligo. porque desde que minha avó faleceu no ano passado eu sempre acho que vai ser a última vez que vou falar com eles. e daí ainda vem meu avô a dizer: quando você liga aqui, alguma coisa se modifica, a sua palavra faz modificar. tá que ele é um eterno galanteador e é o mesmo homem que ainda diz que só atende telefonema de mulher bonita. mas a palavra, modifica, observam?  

a gente precisa falar, precisa escrever e precisa lembrar que cada vez que levanta a vida é aquele jogo dos anos 90 e a gente escolhe o mundo que quer pegar. as vezes ele vem mais torto, às vezes cai e acabam as fichas, mas falar ajuda a gente a ganhar mais delas, é tudo combustível. e se você estiver aí. obrigada.

  

Gabriela Gomes